terça-feira, 18 de agosto de 2009

E AGORA JOSÉ?

E agora José? Quanto de José temos nós? Sem nada, presos na escuridão da dor. Mas ainda assim somos duros, como José! Permanecemos aqui, sem morrer. Ou quase morrendo, marchando para onde? Onde você quer estar? Se a vida prega peças e rasteiras, iguais a que pregou a José? A vida permanece incerta, mas você é duro, como José!
E José é arte... E nós somos também os personagens de Drummond... Ou não seria da vida? Ser ou não ser, eis a questão: E agora, José?

Para ilustrar, o belíssimo poema, na voz de Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

AS HORAS

Para começar, uma dica de um bom filme:

As Horas.

A sutileza das cenas, o encanto das personagens e do enredo, aparentemente banais, faz de "As Horas" um grande filme. Até para os mais leigos em cinema, como eu, vale a pena assistir. São impressões do cotidiano de três mulheres a marca fundamental deste filme, que mistura ficção e realidade. Ao contar um pouco da história real da escritora britânica, Virgínia Woolf (uma das personagens), "As horas" confunde a história de mais duas mulheres, que viviam em tempos diferentes, cujos atos eram semelhantes, senão iguais, aos da personagem que estava sendo escrita por Virgínia no romance Mrs. Dalloway. Só quem entra na sensibilidade das emoções de Virgínia, Laura e Clarissa (as três personagens centrais), percebe a importância do drama da vida real. Os filmes deste gênero falam de forma sutil e indiscutivelmente bela sobre as batalhas internas que cada um trava ao realizar suas escolhas.

Mas têm de ser sutil mesmo. Porque a realidade despida dos luxos da arte causaria demais repugnância aos homens. A vida por si só já é tão árdua e sem cores, porque então, os cineastas deveriam produzir filmes para mostrá-la tal qual como é? Não faria sentido algum.

Às vezes é bom nos depararmos com a realidade sutil com que as telas de cinema nos embebedam os olhos, para que não deixemos de crer na existência da beleza... ainda que dramática!

Embora esta seja uma tentativa de descrição de um filme, as sensações e impressões que ele causa são únicas e indescritíveis. Assim como as sensações da vida. Você pode até qualificar ou taxar algo como 'bom ou 'ruim'. Mas jamais poderá exprimir o sentimento que lhe causou ou de como o ritmo do coração se comportou naquele momento. O instante foi único. As imagens retornam à mente o tempo todo. Mas a mudança que a arte engendra na sua vida através de uma sensação nunca antes sentida é simplesmente imemorável.